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São José não é um santo qualquer!
Santos & Mártires

São José não é um santo qualquer!

São José não é um santo qualquer!

Os católicos amamos todos os santos da Igreja e até elegemos um e outro como santo de devoção. Mas São José… São José é especial. Afinal, a que outro santo Deus chamou de pai?

Equipe Christo Nihil Praeponere19 de Março de 2019Tempo de leitura: 7 minutos
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Neste dia em que celebramos a grande solenidade de São José, nada é tão necessário quanto considerar a razão do culto tão fervoroso que prestamos a este santo. Por que nos deleitarmos ouvindo um Te Joseph, por que acendermos velas diante das imagens de São José, por que assistirmos a Missas, novenas e tríduos em sua honra? Qual o sentido, afinal de contas, de tantas orações, ladainhas e práticas devocionais?

Consideremos, em primeiro lugar, o motivo de toda a veneração que prestamos aos santos de modo geral.

A sagrada liturgia, dirigindo-se a Deus, reza o seguinte: “Na assembleia dos santos, vós sois glorificado e, coroando os seus méritos, exaltai os vossos próprios dons”. Essa passagem contida no Prefácio dos Santos é de uma catequese tão profunda que mereceu ser incluída no Catecismo da Igreja Católica (§ 2006). Para sondar-lhe melhor o significado, vamos logo a Santo Agostinho, de quem é tirada essa intuição (En. in Psal. 102, 7):

Deus coroa os seus dons, não os nossos méritos. — “É Ele quem te coroa de bondade e misericórdia” (Sl 102, 4). Quiçá já havias começado a te orgulhares, quando ouviste: “Te coroa”. “Portanto, sou grande”, dizes contigo; “portanto, hei pelejado”. Com as forças de quem? Com as tuas, por certo, mas ministradas por Ele. Porque é evidente que lutas; e por isso serás coroado, porque hás-de vencer: mas vê bem quem venceu primeiro, vê bem quem te há-de fazer vencedor ao seu lado. “Eu”, diz o Senhor, “venci o mundo. Alegrai-vos!” (Jo 16, 33). E por que nos havemos nós de alegrar, se foi Ele quem venceu o mundo? Não será acaso porque é como se nós mesmos tivéssemos vencido? Pois assim nos havemos de alegrar plenamente, porque fomos nós que vencemos. Os que fomos vencidos em nós pelo pecado, nele saímos vencedores pela graça. Portanto, Ele te coroa, porque coroa os seus próprios dons, não os teus méritos.

“Tenho trabalhado mais do que todos”, reconhece o Apóstolo, mas vê o que acrescenta em seguida: “Não eu, mas a graça de Deus que está comigo” (1Cor 15, 10). E depois de todos esses trabalhos espera ele receber a coroa, e diz: “Combati o bom combate, terminei a minha carreira, guardei a fé. Resta-me agora receber a coroa da justiça, que o Senhor, justo Juiz, me dará naquele dia” (2Tm 4, 7-8). Por quê? Porque “combati o combate”. Por quê? Porque “terminei a carreira”. Por quê? Porque “guardei a fé”. E como combateste? Como guardaste a fé? “Não eu, mas a graça de Deus que está comigo”.

Por isso, que também tu sejas coroado, é pela misericórdia que és coroado. Nunca sejas soberbo; louva sempre o Senhor, não “te esqueças de todos os seus benefícios” (Sl 102, 2). É benefício que, sendo tu um pecador e ímpio, sejas justificado. É um benefício que tenha Ele te erguido e guiado para que não tornes a cair. É benefício que te tenham sido dadas forças para que perseveres até o fim. É benefício que esta mesma carne sob a qual gemias venha a ressurgir, e que não se perca de tua cabeça um só fio de cabelo. É benefício que, após a ressurreição, sejas coroado. É benefício ainda que para todo o sempre louves a Deus sem defeito. Não te esqueças, pois, de todos os seus benefícios, se queres que tua alma bendiga ao Senhor (cf. Sl 102, 1-2), “que te coroa de compaixão e misericórdia”.

Respondamos, então, de uma vez: ao celebrarem os santos, os católicos não estão fazendo nada mais do que adorar a Deus, que os santificou nesta vida e os glorificou na eternidade. São festejados os coroados, sim, mas a glória dirige-se, no fundo, à bondade e à misericórdia de quem deu a coroa. Quando lemos a biografia de um santo, quando conhecemos sua vida, seus atos heroicos de virtude, o grande amor que eles tiveram a Deus, o que estamos contemplando senão a ação da graça divina neles? Seus méritos aparecem, de fato, mas por trás estão sempre os dons do alto.

Na vida de São José, porém, encontramo-nos na curiosa situação de conhecermos mais os dons com que ele foi agraciado do que propriamente os seus méritos. Sim, porque os atos de José não foram registrados por ninguém, nenhuma biografia a seu respeito legou-nos a história. O Autor Sagrado diz tão-somente que ele era “justo”, conta um e outro episódio envolvendo a Sagrada Família… e cala-se sobre todo o resto. Poderíamos dizer que a única grande notícia que temos a seu respeito é a sua paternidade, e nada mais.

Mas essa razão, se a um olhar superficial pode parecer pouco, a olhos espirituais é motivo suficiente para situarmos o culto a São José acima do culto que prestamos a qualquer outro santo da Igreja.

Santa Teresa d’Ávila, por exemplo, ao se perguntar o porquê da intercessão tão poderosa de José, tinha uma opinião muito razoável: “Parece-me que Deus concede aos outros santos a graça de nos auxiliar nesta ou naquela necessidade, mas sei por experiência que São José nos socorre em todas, como se Nosso Senhor quisesse fazer-nos compreender que, assim como Ele lhe era submisso na terra, porque estava no lugar de pai e como tal era chamado, também no céu não pode recusar-lhe nada” (Livro da Vida, VI, 6).

Na mesma linha e com muita simplicidade se manifestava o beato Cardeal Newman, no tríduo que ele compôs em honra ao pai de Jesus: “São José é santo porque seu ofício, de ser esposo e protetor de Maria, exigia especial santidade; é santo porque nenhum outro santo além dele viveu em tal e tão longa intimidade e familiaridade com a fonte de toda santidade, Jesus, Deus encarnado, e Maria, a mais santa das criaturas”.

Aprofundemo-nos um pouco mais, no entanto, e contemplemos a beleza destas linhas que o Pe. António Vieira compôs, mostrando como é especial a coroa reservada a São José, e distinta da coroa de todos os outros santos (cf. Sermão do Esposo da Mãe de Deus, São José, pregado em 19 de março de 1643):

Sonhou José, o que depois foi Vice-Rei do Egito, que o Sol, a Lua, e as Estrelas, abatendo do Céu à terra a majestade luminosa de seus resplandores, humildemente prostrados o adoravam. Quis interpretar este sonho seu Pai, e disse que ele, Jacó, era o Sol, Raquel, sua esposa, a Lua, seus filhos desde Rúben a Benjamim as Estrelas; e que viria tempo a José, em que Deus o levantaria a tão soberana fortuna, que seu mesmo Pai, sua Mãe, e seus Irmãos com o joelho em terra o adorassem (cf. Gn 37).

Os Doutores comumente têm esta interpretação do sonho por verdadeira; mas o certo é que um José foi o que sonhou, e outro José foi o sonhado. O José que sonhou foi José, o filho de Jacó: o José sonhado foi José, o Esposo de Maria. O José filho de Jacó sonhou somente; porque ainda que digamos que em seu Pai o adorou o Sol, e em seus Irmãos as Estrelas, é certo que em Raquel, sua mãe, lhe faltou a adoração da Lua; porque quando Jacó, e seus filhos adoraram a José no Egito, já era morta Raquel, e ficava sepultada em Belém.

Segue-se logo que o José verdadeiramente sonhado foi José o esposo de Maria; porque nele se cumpriram cabalmente todas as partes do sonho. Adorou a José o Sol; porque a título de sujeição filial lhe guardou reverência, e acatamento o mesmo Sol de justiça, Cristo: Et erat subditus illis (Lc 2, 51); adorou a José a Lua; porque a título de verdadeira esposa lhe deveu obediência, e amor aquela Senhora, que é como a Lua formosa: Pulchra ut Luna (Ct 6, 9); adoraram a José as Estrelas; porque a título, ou reputação de Pai de seu Mestre o respeitaram com grande veneração os Apóstolos, aqueles de quem diz o Espírito Santo: Fulgebunt quasi stellae in perpetuas aeternitates (Dn 12, 3).

A excelência de São José pode ser resumida, pois, nesta questão: a que outro homem sobre a terra Jesus chamou de “pai” e foi em tudo submisso como filho? A que outro Deus confiou uma missão tão assombrosa como esta, de ser pai do próprio Verbo de Deus feito carne? A que outro cumulou de graças tão abundantes e numerosas como a esse homem?

Portanto, não, a devoção a São José não é uma devoção como qualquer outra. O Patriarca da Sagrada Família está envolvido diretamente e de modo especialíssimo no mistério da união hipostática, de modo que o culto a ele é, juntamente com o da Virgem Maria, quase que uma “consequência necessária” da simples fé que os cristãos temos em Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem.

Fortaleçamos, pois, nosso amor a este grande Patriarca, certos de que, se até mesmo o Sol, a Lua e todas as estrelas se prostram diante desse humilde carpinteiro… só o que nos resta — a nós, que nem no céu estamos, a nós, homens tão terrestres e carnais — só o que nos resta é elevarmos a ele os nossos corações e dizermos, cheios de gratidão a Deus: “Valei-nos, glorioso São José!


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Rogações: o que são e por que resgatá-las?
Liturgia

Rogações: o que são
e por que resgatá-las?

Rogações: o que são e por que resgatá-las?

O que fazer diante de doenças, guerras ou desastres naturais? Os santos e a liturgia tradicional da Igreja têm a resposta! Saiba em que consistem as “Rogações” e como podemos pôr em prática, ainda hoje, esse costume da Igreja.

Equipe Christo Nihil Praeponere7 de Maio de 2021Tempo de leitura: 5 minutos
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Não é novidade para ninguém que vivemos um tempo de descrença generalizada. Mas o que os cristãos faziam antigamente, ao confrontar fome, guerras, terremotos e desastres naturais em geral? Que resposta eles dariam, por exemplo, à atual pandemia do coronavírus?

Muito simples: eles se voltariam a Deus

Foi num ambiente de fé católica assim que nasceram as Rogações, “dias de oração, e antigamente também de jejum, instituídos pela Igreja para aplacar a ira de Deus sobre as transgressões dos homens, para pedir proteção em meio às calamidades e para obter uma boa e abundante colheita”.

Até a reforma litúrgica ocorrida após o Concílio Vaticano II, havia no calendário romano geral duas celebrações específicas nesse sentido. 

A primeira, chamada de “Ladainhas maiores” e regulada por S. Gregório Magno († 604), acontecia em 25 de abril, dia em que seria instituída, posteriormente, a festa de S. Marcos:

As Ladainhas maiores foram instituídas para cristianizar uma procissão pagã que todos os anos, a 25 de abril, saindo para lá dos muros de Roma, ia para o campo imolar um cordeiro em honra de Robigus, deus do gelo. Tornada cristã, a procissão acabava pela missa em S. Pedro. Tais como as Ladainhas menores ou Rogações, de data mais recente, estas orações públicas pedem a Deus que afaste os flagelos e espalhe a sua bênção sobre as colheitas [1].

A segunda, denominada “Ladainhas menores” e prescrita para toda a Igreja por Leão III († 816), acontecia ao longo de três dias — a segunda, terça e quarta-feiras precedentes à festa da Ascensão do Senhor [2]:

Por motivo de calamidades públicas, que, no século V, flagelaram a diocese de Viena, no Delfinado, S. Mamerto estabeleceu uma procissão solene de penitência, nos dias que precedem a festa da Ascensão. Uma prescrição do concílio de Orleans, de 511, espalhou este uso em toda a França. Não tardou a estender-se à Igreja universal. Sem deixar de implorar as bênçãos de Deus para toda a Igreja, as Rogações tornaram-se, atualmente, uma prece para obter a bênção de Deus para as colheitas.

O canto das ladainhas dos santos levou a dar a estes dias de preces públicas a designação de dias de rogações; mas, porque em Roma existia já uma procissão semelhante, no dia 25 de abril, as Rogações começaram a denominar-se Ladainhas menores, e a procissão de 25 de abril, Ladainhas maiores [3].

Em ambas as celebrações, o sacerdote vestia o violáceo penitencial, cantava-se a Ladainha de Todos os Santos e realizava-se uma procissão logo após a primeira invocação de Nossa Senhora. Se necessário, repetia-se a ladainha e se cantavam alguns dos salmos penitenciais ou graduais. Depois, rezava-se a Missa votiva das Rogações, com textos próprios que ressaltavam principalmente a eficácia de nossas orações, quando feitas com humildade, confiança e perseverança. A Epístola, por exemplo, tomada de S. Tiago, ensinava que 

a oração fervorosa do justo pode muito. Elias era um homem sujeito ao sofrimento como nós: orou com instância, para que não chovesse sobre a terra, e durante três anos e seis meses não choveu. Depois, orou de novo, e o céu deu chuva, e a terra os seus frutos (Tg 5, 16s). 

O Evangelho, por sua vez, narrava a parábola do amigo inoportuno e concluía com a célebre ordem de Nosso Senhor: “Pedi e dar-se-vos-á; buscai, e encontrareis; batei, e abrir-se-vos-á” (Lc 11, 9).

Mas o que aconteceu com esses dias especiais de súplica na Igreja? 

“Bênção dos campos de trigo em Artois”, por Jules Breton.

Infelizmente, no Novus Ordo, eles sumiram do mapa. A exemplo das Quatro Têmporas, porém — sobre a qual já falamos aqui —, tampouco as Rogações foram abolidas. O Cerimonial dos Bispos prevê a sua celebração: “Nas rogações e nas quatro têmporas a Igreja costuma orar ao Senhor pelas várias necessidades dos homens, sobretudo pelos frutos da terra e pelos trabalhos dos homens e render-lhe publicamente ação de graças” (n. 381). E o Missal Romano, em suas “Normas universais para o ano litúrgico”, prescreve: “Para que as Rogações e as Quatro Têmporas do ano possam adaptar-se às diversas necessidades dos lugares e dos fiéis, convém que as Conferências Episcopais determinem o tempo e o modo como devem ser celebradas”. 

No Brasil, a CNBB decidiu, durante Assembleia Geral, em 1971, “que a regulamentação da celebração das Têmporas e Rogações fique a critério das Comissões Episcopais Regionais”. Como não se tem notícia de nenhuma previsão nesse sentido, só restou aos católicos uma forma de celebrar esses dias: privadamente

Fica pois a sugestão para o dia 25 de abril e os outros três que antecedem a Ascensão do Senhor (neste ano de 2021, trata-se dos dias 10, 11 e 12 de maio). Em casa, nestas datas, além da récita do santo Terço e das devoções habituais em família, é possível acrescentar a Ladainha de Todos os Santos e a oração de um ou mais salmos penitenciais — e as intenções das orações podem ser tantas quantas são as necessidades dos homens: desde os problemas particulares de cada pessoa e família até a crise sanitária e política que estamos vivendo a nível mundial. O importante é usar esse tempo para intensificar as nossas orações, sabendo que Deus quer derramar graças abundantes sobre nós.

Os paramentos violáceos que se usavam nestes dias, em pleno Tempo de Páscoa, também podem ser para nós um sadio lembrete de que, neste mundo, não podemos dispensar por completo a prática da mortificação. Pois “o vosso adversário, o diabo, rodeia como um leão a rugir, procurando a quem devorar” (1Pd 5, 8). Se o inimigo de nossa alma não descansa nem nos festivos dias de Páscoa, tampouco nós podemos descuidar da grande obra de nossa salvação eterna. Por isso, se possível, não deixemos de oferecer nesses dias, também, alguma penitência a Deus.

É claro que, para os fiéis que assistem à Missa na Forma Extraordinária do Rito Romano — agora amplamente disseminada, graças ao Summorum Pontificum, do Papa Bento XVI —, as Rogações continuam a ser uma realidade litúrgica viva, um elemento importante do culto público da Igreja. Para a maioria de nós, porém, fica a esperança de que, num futuro não muito distante, tradições como essa sejam resgatadas e ganhem de novo lugar de honra na liturgia católica.

Lembremo-nos da história: essas preces públicas e procissões penitenciais começaram humildes e despretensiosas, numa e outra diocese, e a Providência cuidou do resto. Quem sabe se não é a partir de iniciativas pequenas, em nossas famílias e paróquias, que as Rogações voltarão a ser praticadas em toda a Igreja — alcançando também agora, como antes, os favores do céu?

Notas

  1. Missal Romano Quotidiano, por D. Gaspar Lefebvre e os Monges Beneditinos de S. André. Trad. dos Monges Beneditinos de Singeverga. Bruges: Biblica, 1963, p. 1040.
  2. Lembrando que, assim como Jesus subiu aos céus quarenta dias após ressuscitar, na liturgia, a Ascensão do Senhor também é celebrada quarenta dias após a Páscoa da Ressurreição, ou seja, na quinta-feira da 6.ª Semana da Páscoa. No Brasil, essa festa é transferida para o domingo seguinte, sobrepondo-se ao 7.º Domingo da Páscoa. 
  3. Missal Romano Quotidiano, p. 521s.

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Por que é importante a virgindade perpétua de Maria?
Virgem Maria

Por que é importante
a virgindade perpétua de Maria?

Por que é importante a virgindade perpétua de Maria?

Atualmente, a virgindade perpétua de Nossa Senhora é negada pela maioria dos protestantes, embora a maior parte dos reformadores defendesse essa doutrina. Mas a mãe de Jesus foi realmente virgem ao longo de toda a sua vida? E por que isso importa?

Paul SenzTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere6 de Maio de 2021Tempo de leitura: 5 minutos
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Um dos principais pontos de discórdia entre católicos e protestantes é a fé na Bem-aventurada Virgem Maria. A tradição católica de venerar a Mãe de Jesus e dogmas como a Imaculada Conceição e a Assunção são frequentemente contestados pelos protestantes. Atualmente, a virgindade perpétua de Maria é negada pela maioria dos protestantes, embora a maioria dos reformadores, alinhados à fé cristã universal de um milênio e meio antes, defendesse essa doutrina.

Mas Maria foi virgem por toda a vida? E por que isso importa?

Este não é um fórum para resumir as evidências que demonstram a virgindade perpétua de Maria. Esses argumentos já foram defendidos muitas vezes em respostas de apologistas católicos. Aqui, preocupamo-nos principalmente em saber por que é importante a resposta a essa questão.

A primeira razão pela qual a virgindade perpétua de Maria é importante é que se trata de uma verdade, não de opinião, e o fato é que a Igreja tem defendido infalivelmente essa doutrina desde os seus primeiros dias. Certamente, os Padres da Igreja, por exemplo, não defenderiam uma inverdade; afinal, veritas vos liberabit, “a verdade vos libertará” (Jo 8, 32). A virgindade perpétua de Maria raramente foi desafiada na história cristã. Até mesmo os principais reformadores protestantes reconheceram que a virgindade perpétua de Maria é ensinada nas Escrituras, e todos os Padres da Igreja a sustentaram como verdadeira.

Nomes de peso como Tertuliano, S. Atanásio, S. João Crisóstomo, S. Ambrósio e S. Agostinho argumentaram, com base nas Escrituras, que Maria permaneceu virgem por toda a vida. Isso era verdade para os cristãos em todo o mundo conhecido, latino e grego, do Oriente e do Ocidente. Orígenes de Alexandria, por exemplo, escreveu: “Não há filho de Maria, exceto Jesus, segundo a opinião dos que pensam corretamente sobre ela” (Comentário a João I 4). S. Jerônimo, o magnífico tradutor e erudito bíblico, afirmou claramente: acreditamos que Maria permaneceu virgem por toda a vida, porque lemos isso nas Escrituras (cf. Contra Helvídio 21).

O proto-evangelho de Tiago, embora não seja escritura canônica, é um importante documento histórico que nos diz muito sobre o que a Igreja primitiva acreditava. Escrito no século II d.C., não muito depois do fim da vida terrena de Maria, este documento faz um grande esforço para defender a virgindade perpétua de Maria. Na verdade, alguns estudiosos — incluindo Johannes Quasten, o grande estudioso da patrística do século XX — pensaram que esse era o objetivo principal do texto. Entre outras coisas, é do protoevangelium que colhemos a tradição segundo a qual Maria foi consagrada para o serviço no Templo quando jovem, o que significaria uma vida de virgindade perpétua. De fato, o texto indica que Maria foi confiada a José para que ele lhe protegesse a virgindade.

No II Concílio de Constantinopla, de 553 d.C., Maria recebeu oficialmente o título de “sempre Virgem”. Um século depois, o Papa Martinho I esclareceu que, com isso, a Igreja quer dizer que Maria foi virgem antes, durante e depois do nascimento de Cristo (ante partum, in partu, et post partum). Este é um ponto crucial — o parto virginal é essencialmente incontestável entre os cristãos. É na questão de saber se Maria permaneceu virgem que muitos protestantes discordam da Igreja Católica.

Martinho Lutero, Ulrico Zuínglio, João Calvino (pelo menos no início da carreira) e outras primeiras figuras protestantes reconheceram que a virgindade perpétua de Maria é ensinada na Bíblia. Infelizmente, ao longo dos séculos desde a Reforma, seus descendentes teológicos se perderam nesse aspecto. Hoje, poucos protestantes reconhecem a verdade, muito menos a base bíblica, da virgindade perpétua de Maria.

Novamente, não estou tentando provar o caso aqui com um apelo a uma ampla variedade de autoridades. Ofereço esta breve pesquisa de história da Igreja sobre a questão para mostrar que a Igreja frequente e inequivocamente defendeu a doutrina como verdadeira, porque sua verdade é importante, ao passo que sua negação é um desenvolvimento relativamente recente na história da Igreja.

Em segundo lugar, a virgindade perpétua de Maria é importante porque sua verdade tem implicações importantes para todos nós, a saber: aponta para além de sua vida, para o mundo que está por vir, um mundo em que não haverá mais casamento e todos seremos como Maria foi. “Na ressurreição, os homens não terão mulheres nem as mulheres, maridos; mas serão como os anjos de Deus no céu” (Mt 22, 30), disse Jesus aos saduceus. A virgindade de Maria é uma prefiguração do céu, a recompensa para aqueles que dizem a Deus, com Maria: “Faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1, 38).

Em terceiro, a virgindade perpétua de Maria é um dos muitos atributos que a tornam um belo símbolo da Igreja, como a Noiva virgem de Cristo e a Mãe fecunda dos cristãos. S. Ambrósio escreveu: “Apropriadamente, [Maria] é desposada mas Virgem, porque ela prefigura a Igreja imaculada mas casada. Uma Virgem concebeu do Espírito, uma Virgem dá à luz sem dores” (Sobre Lucas 2, 6-7).

Em quarto lugar, a virgindade perpétua de Maria diz muito sobre seu relacionamento com todos nós. Quando Cristo estava morrendo na cruz, disse a João: “Eis aí tua mãe”, e a Maria: “Mulher, eis aí teu filho” (Jo 19, 26-27). A Igreja sempre reconheceu nessa passagem não somente um filho preocupado com o cuidado da mãe depois de sua morte, mas também Cristo a entregar sua Mãe a cada um de nós. Ela também é nossa Mãe. Isso não faria sentido se Maria tivesse outros filhos, já que eles teriam sido encarregados de cuidar dela após a morte de Jesus. E isso deve importar para todos os cristãos.

Citando a Lumen Gentium, o Catecismo da Igreja Católica afirma que “o nascimento de Cristo ‘não diminuiu, antes consagrou a integridade virginal’ da sua Mãe” (§ 499). E este ponto merece destaque especial: o nascimento virginal não foi apenas um “truque”, um milagre usado para “empolgar” as pessoas, sinalizando que algo especial aconteceu. Foi um claro indício de que Maria foi consagrada (reservada, por seu fiat) para o serviço a Deus, conformando sua vontade com a de Deus. Ela foi separada por sua virgindade, e sua virgindade foi santificada por Nosso Senhor em seu nascimento.

O parto virginal e a virgindade perpétua de Maria são sinais da sua consagração total a Deus, de serviço sincero a Ele e de um abandono total à sua vontade. Ao longo dos séculos, cristãos de todos os matizes têm defendido essa doutrina, às vezes com veemência em face de oposições. O fato da sua virgindade perpétua é importante, porque Maria foi dada a todos nós como Mãe espiritual, símbolo da Igreja. Todos os cristãos fariam bem em se voltar para Nossa Senhora e ver, em sua virgindade perpétua, um sinal da Providência de Deus.

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Por que entrarei para um mosteiro em 2021?
Testemunhos

Por que entrarei
para um mosteiro em 2021?

Por que entrarei para um mosteiro em 2021?

Vivemos numa “época sem precedentes”. É por isso que, seguindo o precedente de São Bento, Santa Catarina e Santa Teresinha, entrarei para um mosteiro em 2021. Porque às vezes precisamos abandonar o mundo para amá-lo.

Gretchen ErlichmanTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere6 de Maio de 2021Tempo de leitura: 5 minutos
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Vivemos numa “época sem precedentes”. Esta frase, repetida com tanta frequência, não apenas tomou as manchetes dos jornais e adornou os lábios de muitos apresentadores, mas também se tornou um mantra sempre presente em nossos encontros cotidianos. “Época sem precedentes” descreve o desconcertante conglomerado de caos político, tensões religiosas e uma sociedade conduzida por uma pandemia.

Porém, são precisamente épocas como esta que estabelecem um precedente para vocações à vida contemplativa: o Império Romano desmoronava, enquanto S. Bento compunha sua regra monástica. O Grande Cisma do Ocidente atormentava o papado, enquanto S. Catarina de Siena fazia penitência pela regeneração da Igreja. As religiosas do Carmelo de Lisieux morriam de gripe asiática, enquanto S. Teresinha rezava pela saúde e regeneração da Europa.

Em poucos meses, seguirei esse precedente, deixando para trás a vida que conheço a fim de entrar como postulante entre as irmãs dominicanas contemplativas do Mosteiro de Nossa Senhora das Graças, em North Guilford, Connecticut. Para mim, essa parece ser a melhor resposta que posso dar ao nosso atual contexto social e à vida, em sentido mais amplo.

Mas talvez essa ideia não seja tão bem compreendida quanto eu esperava. Ao compartilhar essa intenção com outras pessoas, tenho recebido de amigos, familiares, conhecidos e estranhos um número cada vez maior de perguntas em tom de perplexidade, todas elas questionando minha decisão de entrar para um mosteiro. — Por que eu faria isso justamente agora? Por que eu gostaria que minha última experiência do “mundo” fosse a de uma sociedade conduzida por uma pandemia? Por que, em meio ao caos do ambiente político e religioso desta época, eu me trancaria num claustro? — Alguns sugerem que uma pessoa só faria tal escolha com o objetivo de fugir dos problemas do mundo. Outros veem nisso uma negação heróica das coisas “mundanas”. Essas respostas erram o alvo.

É justamente o desejo de me dedicar a esta “época sem precedentes” que fortalece minha determinação de buscar uma vida como religiosa dominicana contemplativa. Não entrarei num mosteiro para fugir do mundo nem para mostrar uma falsa piedade. Entrarei na vida religiosa a fim de seguir a minha vocação particular, através da qual poderei realizar mais perfeitamente minha missão como membro cristã da sociedade humana. Ao renunciar às coisas do mundo, uma religiosa afirma de modo radical a realidade do bem e do mal no mundo. Ao entrar para o claustro, ela se torna livre para penetrar com mais profundidade o sofrimento de um mundo que sofre. E, ao fechar os olhos na oração, ela é capaz de abrir seu coração para um mundo desesperadamente carente.

Um dos lemas da Ordem dos Pregadores é contemplare et contemplata aliis tradere (“contemplar e transmitir aos outros as coisas contempladas”). Depois de discernir pela primeira vez a respeito da vida contemplativa, não sabia ao certo como esse lema se manifestaria na vida de uma irmã de clausura. Hoje, compreendo que é por meio de uma vida contemplativa que me comprometerei de modo pleno e frutífero com um mundo sofredor. Por meio de uma vida de oração e penitência e afastada do mundo, uma irmã contemplativa está intimamente unida em solidariedade àqueles que sofrem no mundo. Esta solidariedade é definida pela oferta plena de si em prol de um bem muito maior do que ela mesma; é um derramamento de sua vida de oração e penitência pelo bem comum do mundo ao redor dela. É por meio desta solidariedade que ela cumpre sua vocação: contemplare et contemplata aliis tradere.    

O Papa S. João Paulo II afirma exatamente isso em sua carta apostólica Salvifici doloris:

É necessário, portanto, cultivar em si próprio esta sensibilidade do coração, que se demonstra na compaixão por quem sofre. Por vezes esta compaixão acaba por ser a única ou a principal expressão do nosso amor e da nossa solidariedade com o homem que sofre (...) Pode-se dizer mesmo que se dá a si próprio, o seu próprio “eu”, ao outro. Tocamos aqui um dos pontos-chave de toda a antropologia cristã. O homem “não pode encontrar a sua própria plenitude a não ser no dom sincero de si mesmo”. Bom Samaritano é o homem capaz, exatamente, de um tal dom de si mesmo (n. 28).

Toda pessoa é chamada a viver uma manifestação específica desse “sincero dom de si” por meio de sua vocação pessoal: os pais sacrificam o próprio conforto em prol dos filhos; os profissionais da saúde põem as próprias vidas na linha de frente em prol da saúde e do bem-estar dos outros; os membros do clero são obrigados a viver à altura do desafio de viver e pregar a verdade, não importa a que custo. Eu, junto com minhas futuras irmãs, sou chamada a participar de todos esses sofrimentos de modo sobrenatural, por meio do dom da vida contemplativa.

Religiosas contemplativas são chamadas a oferecer orações pela mãe exausta que não consegue rezar após uma noite em claro com seu filho; a fazer penitência pelo homem que está morrendo sozinho e precisa da graça da conversão; a ajoelhar-se diante do Santíssimo Sacramento e implorar pela paz em nossa nação e pela fertilidade da Igreja. Como religiosa, usarei minha vida para unir todos esses sofrimentos ao sofrimento de Cristo na cruz. Cristo fez-se homem e sacrificou sua vida humana pela salvação da humanidade. Dentro das muralhas do mosteiro, religiosas sacrificam suas próprias vidas humanas e as unem à de Cristo, levando assim toda a humanidade para Ele, e Ele para toda a humanidade.  

Assim que eu entrar no mosteiro, minha “janela” para o mundo consistirá numa pequena abertura na grade da capela onde está o ostensório com o Santíssimo Sacramento. Literalmente, verei o mundo exterior através de Cristo. Que expressão perfeita da vida religiosa que eu desejo buscar! G. K. Chesterton escreveu o seguinte: “O voto é para o homem o que o canto é para o pássaro ou o latido para o cão; é a voz pela qual ele é conhecido” (The Barbarism of Berlin). É na busca por uma vida com os votos de pobreza, castidade e obediência no interior das silenciosas muralhas do claustro que desejo ser escutada.

Por isso, estou seguindo o precedente de S. Bento, S. Catarina e S. Teresinha nesta “época sem precedentes” e entrarei para um mosteiro em 2021. Porque às vezes precisamos abandonar o mundo para amá-lo.

Notas

  • A fotografia acima, é da profissão da Irmã Maria Teresa do Sagrado Coração, religiosa dominicana no Mosteiro de Nossa Senhora do Rosário, em Summit, Nova Jersey. Créditos: Toni Greaves.

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Novena em honra a Nossa Senhora de Fátima
Oração

Novena em honra a
Nossa Senhora de Fátima

Novena em honra a Nossa Senhora de Fátima

No dia 13 de maio de 1917, a Santíssima Virgem Maria apareceu na cidade portuguesa de Fátima, deixando a todos os homens uma mensagem de salvação. Prepare-se para celebrar este acontecimento, rezando conosco esta novena.

Equipe Christo Nihil Praeponere3 de Maio de 2021Tempo de leitura: 7 minutos
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Esta novena em honra a Nossa Senhora de Fátima pode ser rezada a qualquer tempo, mas é particularmente recomendada nos nove dias que precedem a sua festa, isto é, de 4 a 12 de maio. 

O texto abaixo encontra-se em inúmeros lugares da internet, com pequenas variações de forma e conteúdo. Inclui uma oração litúrgica e outras que os próprios pastorinhos de Fátima aprenderam das aparições que receberam do céu. As demais são, também, muito belas e apropriadas, mas sua fonte é desconhecida. O trabalho de nossa equipe foi apenas no sentido de revisar e organizar o que encontramos.

Cada um é livre para adaptar a novena às próprias necessidades, acrescentando-lhe outras leituras e orações que aumentem a devoção. Pois as fórmulas a seguir não são “palavras mágicas”, que basta pronunciar para ver atendida a sua prece. Se a mente e o coração não acompanham nossas palavras, elas de nada servem; são como um “corpo sem alma”. 

Além disso, ao apresentarmos a Deus nossos pedidos, devemos sempre submetê-los à sua vontade. Pois, muitas vezes, o que imaginamos como uma graça para nós, pode não o ser de fato. Deus sabe mais e melhor o que convém a nós e à nossa eterna salvação.


Orações iniciais. — Ó meu Deus! Eu creio, adoro, espero e vos amo. Peço-vos perdão para os que não creem, não adoram, não esperam e não vos amam. Ó Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo! Eu vos adoro profundamente e vos ofereço o preciosíssimo corpo, sangue, alma e divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo, presente em todos os sacrários da terra, em reparação dos ultrajes, sacrilégios e indiferenças com que Ele mesmo é ofendido, e pelos méritos infinitos do seu Sacratíssimo Coração e do Imaculado Coração de Maria, peço-vos a conversão dos pobres pecadores.

Ó meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno, levai as almas todas para o céu e socorrei principalmente as que mais precisarem.

Ó Santíssima Virgem Maria, Rainha do Rosário e Mãe de Misericórdia, que vos dignastes manifestar em Fátima a ternura do vosso Imaculado Coração, trazendo-nos mensagens de salvação e paz, confiados em vossa misericórdia maternal e agradecidos das bondades de vosso amantíssimo Coração, viemos a vossos pés para render-vos o tributo de nossa veneração e amor. Concedei-nos as graças de que necessitamos para cumprir fielmente vossa mensagem de amor e as que vos pedimos nesta novena (pedir as graças), se forem elas para maior glória de Deus, honra vossa e proveito de nossas almas. Assim seja.

1.º dia — Penitência e reparação

Ó Santíssima Virgem Maria, Mãe dos pobres pecadores, que, aparecendo em Fátima, deixastes transparecer em vosso rosto celestial uma leve sombra de tristeza, para indicar a dor que causam os pecados dos homens, a quem, com maternal compaixão, exortastes a não afligir mais a vosso Filho com a culpa e a reparar os pecados com a mortificação e a penitência: dai-nos a graça de uma sincera dor dos pecados cometidos e a resolução generosa de reparar com obras de penitência e mortificação todas as ofensas contra o vosso divino Filho e o vosso Coração Imaculado. 

Reza-se uma dezena de Ave-Marias em saudação a Nossa Senhora de Fátima e a oração final abaixo.

2.º dia — Santidade de vida

Ó Santíssima Virgem Maria, Mãe da divina graça, que, vestida de nívea brancura, aparecestes aos pastorinhos singelos e inocentes, ensinando-lhes assim o quanto devemos amar e procurar a inocência da alma, e que pedistes, por meio deles, a emenda dos costumes e a santidade de uma vida cristã perfeita: concedei-nos misericordiosamente a graça de saber apreciar a dignidade de nossa condição de cristãos e levar uma vida conforme as promessas batismais.

Reza-se uma dezena de Ave-Marias em saudação a Nossa Senhora de Fátima e a oração final abaixo.

3.º dia — Amor à oração

Ó Santíssima Virgem Maria, Vaso insigne de devoção, que aparecestes em Fátima tendo pendente de vossas mãos o santo Rosário e que insistentemente repetias: “Orai, orai muito” para conseguir findar, por meio da oração, os males que nos ameaçam: concedei-nos o dom e o espírito de oração, a graça de sermos fiéis no cumprimento do grande preceito de orar, fazendo-o todos os dias, para assim observar bem os santos Mandamentos, vencer as tentações e chegar ao conhecimento e ao amor de Jesus Cristo nesta vida e à união feliz com Ele na outra. 

Reza-se uma dezena de Ave-Marias em saudação a Nossa Senhora de Fátima e a oração final abaixo.

4.º dia — Amor à Igreja

Ó Santíssima Virgem Maria, Rainha da Igreja, que exortastes os pastorinhos de Fátima a rogar pelo Papa e infundistes em suas almas sinceras uma grande veneração e amor por ele, como Vigário de vosso Filho e seu representante na Terra, infundi também em nós o espírito de veneração e docilidade à autoridade do Romano Pontífice, de adesão inquebrantável aos seus ensinamentos e, nele e com ele, um grande amor e respeito a todos os ministros da Santa Igreja, por meio dos quais participamos da vida da graça nos sacramentos. 

Reza-se uma dezena de Ave-Marias em saudação a Nossa Senhora de Fátima e a oração final abaixo.

5.º dia — Maria, Saúde dos enfermos

Ó Santíssima Virgem Maria, Saúde dos enfermos e Amparo dos aflitos, que, movida pelo rogo dos pastorinhos, fizestes já curas em vossas aparições em Fátima e haveis convertido este lugar, santificado por vossa presença, em oficina de vossas misericórdias maternais em favor de todos os aflitos, ao vosso Coração maternal acudimos cheios de filial confiança, mostrando as enfermidades de nossas almas e as aflições e doenças todas de nossa vida: lançai sobre elas um olhar de compaixão e remediai-as com a ternura de vossas mãos, para que assim vos possamos servir e amar com todo o nosso coração e com todo o nosso ser. 

Reza-se uma dezena de Ave-Marias em saudação a Nossa Senhora de Fátima e a oração final abaixo.

6.º dia — Maria, Refúgio dos pecadores

Ó Santíssima Virgem Maria, Refúgio dos pecadores, que ensinastes aos pastorinhos de Fátima a rogar incessantemente ao Senhor, para que os desgraçados não caiam nas penas eternas do inferno, e que manifestastes a um dos três que os pecados da carne são os que mais almas arrastam àquelas terríveis chamas: colocai em nossas almas um grande horror ao pecado e o temor santo da justiça divina; ao mesmo tempo, despertai em nós compaixão pelos pobres pecadores e um santo zelo para trabalhar, com nossas orações, exemplos e palavras, por sua conversão. 

Reza-se uma dezena de Ave-Marias em saudação a Nossa Senhora de Fátima e a oração final abaixo.

7.º dia — Maria, Alívio das almas do purgatório

Ó Santíssima Virgem Maria, Rainha do purgatório, que ensinastes aos pastorinhos de Fátima a rogar a Deus pelas almas do purgatório, especialmente pelas mais abandonadas, encomendamos à inesgotável ternura de vosso maternal Coração todas as almas que padecem naquele lugar de purificação, em particular as de todos os nossos conhecidos e familiares e as mais abandonadas e necessitadas. Aliviai suas penas e levai-as prontas à região da luz e da paz, para ali cantarem perpetuamente vossas misericórdias.

Reza-se uma dezena de Ave-Marias em saudação a Nossa Senhora de Fátima e a oração final abaixo.

8.º dia — Maria, Rainha do Rosário

Ó Santíssima Virgem Maria, que em vossa última aparição vos destes a conhecer como Rainha do santíssimo Rosário e em todas as aparições recomendastes a récita dessa devoção como remédio mais seguro e eficaz para todos os males e calamidades que nos afligem, tanto de alma quanto de corpo, tanto públicas quanto privadas: colocai em nossas almas uma profunda estima pelos mistérios de nossa Redenção, que se comemoram na récita do Rosário, para assim vivermos sempre de seus frutos. Concedei-nos a graça de sermos sempre fiéis à prática de rezá-lo diariamente, para vos honrarmos a vós, acompanhando vossas alegrias, dores e glórias, e assim merecermos vossa maternal proteção e assistência em todos os momentos da vida, mais especialmente na hora da morte.

Reza-se uma dezena de Ave-Marias em saudação a Nossa Senhora de Fátima e a oração final abaixo.

9.º dia — Imaculado Coração de Maria

Ó Santíssima Virgem Maria, nossa Mãe dulcíssima, que escolhestes os pastorinhos de Fátima para mostrar ao mundo as ternuras de vosso Coração misericordioso e lhes propusestes a devoção a ele como o meio pelo qual Deus quer dar a paz ao mundo, como o caminho para levar as almas a Ele e como penhor supremo de salvação: fazei, ó Coração da mais terna das mães, que possamos compreender vossa mensagem de amor e misericórdia, que a abracemos com filial adesão e que a pratiquemos sempre com fervor. Assim seja vosso Coração nosso refúgio, nossa esperança e o caminho que nos conduz ao amor e à união com vosso filho Jesus. 

Reza-se uma dezena de Ave-Marias em saudação a Nossa Senhora de Fátima e a oração final abaixo.

Oração final. — Ó Deus, cujo Filho unigênito, por sua vida, morte e ressurreição, nos mereceu as recompensas da salvação eterna: concedei-nos, nós vos pedimos, que, recordando pelo santíssimo Rosário estes mistérios da bem-aventurada Virgem Maria, imitemos o que encerram e obtenhamos o que prometem. Pelo mesmo Jesus Cristo, Senhor nosso. Amém.

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